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terça-feira, 23 de maio de 2023

Perguntas das académicas

 


1ª pergunta: O que fazer quando há mudanças de comportamento para pior em crianças anteriormente bem comportadas?

O programa de 4 passos é transversal a todas as idades e a todas as situações (com adaptações): 

  1. manifestar afeto incondicional e empatia 
  2. escutar ativamente (inclui perguntar com cuidado, não interromper, não criticar, nem dar conselhos a menos que sejam pedidos) para descobrir o que se passa (com a criança e com as circunstâncias que levaram ao problema).
  3. combinar os limites que minimizem frustrar as necessidades de todos.
  4. e, depois, usar de positividade, para resolver o problema, valorizando a criança, não a vendo como má e focando-se nas soluções.

É preciso estar num estado de espírito recetivo para se poder comunicar com proveito. Se, no momento, ficarmos zangados, é útil esperarmos até as emoções acalmarem, ao mesmo tempo que procuramos pôr-nos no lugar da criança e verbalizar o que sentimos. Em seguida, esperamos com paciência pelas reações da criança.

Indicam-se a seguir algumas sugestões complementares às orientações anteriores:

Quando o afeto e a disponibilidade para a escuta são difíceis, lembrar que, se há mau comportamento, há sofrimento.

Se há sofrimento, há necessidades importantes que não estão a ser satisfeitas. 

Descobrir quais são essas necessidades (não são os “apetites”, mas as referidas na pirâmide de Maslow), procurando entender completamente o que a criança nos quer dizer (pelas palavras que diz, pela forma como fala, pelos gestos que faz e pelos atos que realiza). 

A mãe de todas as necessidades de qualquer criança é ser amada.

Outras necessidades fundamentais da criança são ser ouvida, aceite e compreendida.

Muitas vezes, não precisamos de dizer nada para mostrar afeto, um abraço pode dizer tudo.

Por vezes, com crianças pequenas, as nossas perguntas não suscitam nenhuns pensamentos significativos que consigam partilhar, apesar de elas saberem o que as incomoda e o que as faz sofrer. Nestas ocasiões, convém usar métodos mais indiretos de inquirição.

Uma forma de conseguirmos que a criança mais pequena se abra connosco é contar uma história e/ou pedir para ela fazer um desenho à vontade. Depois, conversamos, perguntando a sua interpretação, dizendo o que vemos e pedindo para ela nos explicar.

Outra forma é perguntar-lhe o que ela desejaria que fosse diferente na sua vida: assim ela sente-se ouvida, validada e compreendida; ficamos a saber melhor o que se passa; ajuda a obter a cooperação da criança (explicando que esta é importante para satisfazer a necessidade que ela relatou).

Pode-se conversar primeiro com a criança em particular. Depois, às vezes, pode ser útil conversar com a família em geral para a criança saber que estão todos interessados em ajudá-la.

Em qualquer altura, em que sentimos não estar a conseguir ajudá-la, podemos sempre levá-la a um psicólogo infantil.

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2ª pergunta: Como ajudar uma adolescente a lidar com a perda da sua amiga?

O programa de 4 passos é transversal a todas as idades e a todas as situações (com adaptações): 

  1. manifestarmos afeto incondicional e empatia pela adolescente
  2. escutá-la ativamente (inclui perguntar com cuidado, não interromper, não criticar, nem dar conselhos a menos que sejam pedidos) para descobrir o que se passa (com a adolescente e com as circunstâncias que levaram ao problema).
  3. investigarmos os limites que permitem que as suas necessidades não sejam frustradas,
  4. e, depois, ajudarmos a adolescente a encontrar soluções, valorizando-a e acreditando na sua capacidade para o fazer.

Sermos afetuosos com ela e mostrarmos que estamos SEMPRE do lado dela (em particular, nunca perguntar “Mas o que é que tu fizeste para que ela se zangasse contigo?”, porque estamos a sugerir que ela foi culpada).

Escutá-la com simpatia e compreensão, encorajando-a a expressar os seus sentimentos e pensamentos sobre a situação.

Não reagirmos em excesso ao ponto de ela se arrepender de ter falado connosco.

Mostrarmos disponibilidade para responder a perguntas que ela queira fazer. Mas evitarmos a tentação de dar conselhos que ela não esteja a pedir.

Ajudá-la a pensar se era uma amizade boa ou se era tóxica. A resposta a esta pergunta irá determinar de certa forma o que fazer a seguir. Se a amizade era boa, há que pensar no que ela pode fazer para a recuperar. É o que vamos ver a seguir.

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Como tornar possível recuperar uma amizade?

Ir falar com a amiga, tendo em mente os 4 passos e perguntar-lhe o que se passa/passou (ao mesmo tempo, pode dizer-lhe o que está a sentir, se não for agressivo, devendo incluir aqui o afeto que sente por ela). Com genuínas afeição e empatia, ou seja, vontade de a compreender (nunca para a julgar nem para a criticar), e de saber quais as suas necessidades (que foram frustradas).

Depois de ouvir a amiga, pedir-lhe desculpa por a ter feito sentir-se mal (mesmo que ache que a amiga não tem razão).

Dizer-lhe quais as suas necessidades também (incluir aqui, se necessário, os limites que gostaria de ver respeitados).

Comunicar-lhe (pela positiva) o que gostaria que acontecesse.

Perguntar-lhe o que pode fazer para pôr as coisas entre elas bem outra vez.

O processo pode ser bloqueado pela amiga em qualquer destes passos, sem culpa nenhuma de ambas as partes. Há apenas uma divergência de objetivos de vida e de caminhos para lá chegar.

Neste caso, separar-se sem fechar portas, com o 4º passo (elogio e valorização): por exemplo, referir à ex-amiga como essa amizade foi importante e que não será esquecida.

Em seguida, seguir os passos a tomar quando ela conclui lá atrás que a amizade é tóxica e quer avançar sem ela.

Mais uma vez, o que nós, adultos, podemos fazer? Não darmos conselhos. Não fazermos julgamentos, nem em relação a ela, nem às suas ideias, nem às suas amizades. Oferecermos o nosso apoio e a nossa ajuda no que ela precisar e pedir.

Eventualmente, podemos sugerir que procure apoio nas amizades atuais, que  recupere amizades antigas que estavam um pouco abandonadas, que se abra para fazer novas amizades (voluntariado, clubes, etc.) e que se proteja e se afaste de contactos tóxicos nas redes sociais.

Finalmente, se o sofrimento continuar e não conseguir superá-lo, podemos sugerir o recurso a um psicólogo que a possa ajudar melhor.

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Uma ótima semana para tod@s!


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