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terça-feira, 30 de maio de 2023

Perguntas das académicas - 2

 

(Booking.com, página consultada em 20-05-2023)

A lembrar tristemente tempos antigos em que não eram crianças que não eram admitidas, mas, sim, negros, judeus e cães...

A provar a existência atual de um claro preconceito contra as crianças. O que virá a seguir? Que "Não são permitidos deficientes físicos"? Ou "velhos"? Ou...?

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Continuamos com as perguntas dos académicos: Como conversar com alguém que manifesta pouca vontade de viver?

Tal como em todos os casos que envolvam relações pessoais, uma sugestão é seguir os quatro pilares:

  1. Afeto Incondicional; 
  2. Escuta Ativa; 
  3. Limites (estes devem existir, mas apenas quando temos de avisar que não vamos esconder, se houver, a intenção de se autodestruir).
  4. Valorização.

De preferência, confronto nunca, nem qualquer outra técnica de psicologia reversa; esta é uma estratégia confusa, manipuladora, desonesta, e raramente funciona

O que se deve fazer é…

Começarmos por perguntar o que se passa com a pessoa, o que lhe está a acontecer, mostrando o nosso interesse genuíno, e assegurando-lhe que estamos com ela e que não a abandonaremos.

Ao fazer perguntas à pessoa sobre este tema, não estamos a encorajá-la a considerar o suicídio. Pelo contrário, estamos a proporcionar-lhe um escape para desabafar em vez de agir.

Dêmos-lhe espaço para falar sem nenhum receio de que a vamos julgar e criticar. 

Ouçamos com empatia, sem interromper nem dar conselhos.

Agradeçamos-lhe a sua confiança em nós e a sua coragem por falar de algo que é tão difícil.

Discretamente, procuremos reforçar a autoestima e o amor próprio da pessoa, elogiando atos e características específicas dela (mas nada de generalidades, nem de exageros que a possam levar a duvidar de que estamos a ser sinceros).

Perguntemos-lhe o que se pode fazer, neste preciso momento. Por exemplo, podemos oferecer-nos para fazer algo em conjunto com ela, a fim de abrir uma pausa que alivie o peso que a pessoa está a sentir (por exemplo, darem um passeio juntos ou outra coisa qualquer que seja do seu agrado).

No fim, podemos perguntar-lhe qual a ajuda que podemos dar e de que ela acha que precisa. 

Entretanto, podemos sugerir que façamos juntos algumas respirações profundas pelo nariz. Investigações recentes mostram que este simples ato de respirar profundamente melhora a memória e o processamento das emoções.

Encorajemos a pessoa a recorrer a ajuda profissional, porque a pessoa pode precisar de mais ajuda do que aquela que nós podemos dar. Nomeadamente, indiquemos-lhe a quem ela pode recorrer. Nós próprios também podemos pedir ajuda profissional.

Ministério da Saúde - SNS - Contactos e Serviços Disponíveis

https://saudemental.min-saude.pt/estou-com-pensamentos-de-suicidio-o-que-devo-fazer/

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Uma última pergunta foi feita no sentido de saber qual a validade da seguinte afirmação:

“As crianças devem ter parceiros sexuais”, dizem a ONU e a OMS


Vamos verificar, seguindo uma sucessão de critérios, desde o mais simples até ao mais moroso e complexo.

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1º Critério: Usar de bom senso

É razoável que a ONU e a OMS estejam a defender isto publicamente para todo o mundo, e nenhum país nem nenhuma das grandes religiões se insurja? Quando se está a combater os casamentos precoces de crianças em todo o mundo?

Não, não é.

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2º critério: consultar uma organização em quem se confie

No site Vatican News em português, fiz uma pesquisa com os termos “Educação sexual de crianças” e
“Parceiros sexuais de crianças”.

Não apareceu nada do que é referido na alegação acima.

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3º Critério: Vamos verificar as fontes

Primeiro, dois sites que desmentem com factos aquela alegação:

É falso que a ONU recomende que crianças tenham parceiros sexuais

Finalmente, vamos ao relatório em questão:

Orientações técnicas internacionais de educação em sexualidade: uma abordagem baseada em evidências

Primeiro que tudo, pelo título vemos que são "Orientações", não são "Diretivas":

(Entre parêntesis indicam-se as páginas deste relatório)

(12) As Orientações foram desenvolvidas para auxiliar autoridades de educação, saúde e outras áreas relevantes no desenvolvimento e na implementação de programas e materiais para a educação abrangente em sexualidade realizada dentro e fora da escola.

Portanto, estas Orientações são também úteis para as famílias saberem o que deve ser ensinado ou não, e como.

(13) as Orientações são de caráter voluntário, visto que reconhecem a diversidade dos diversos contextos nacionais, bem como a autoridade dos governos em determinar o conteúdo dos currículos educacionais em seus países.

(16) A Educação Integral em Sexualidade (EIS) deve ser realizada em ambientes formais e não formais e possui as seguintes características:

(17) Capaz de desenvolver as habilidades para a vida necessárias para apoiar escolhas saudáveis – isto inclui a capacidade de refletir e de tomar decisões informadas, comunicar e negociar com eficácia e demonstrar assertividade. Tais habilidades podem ajudar crianças e jovens a formarem relacionamentos respeitosos e saudáveis com familiares, colegas, amigos e parceiros amorosos ou sexuais.

A frase "As crianças devem ter parceiros sexuais" acima nunca aparece no relatório. Aliás, o relatório defende exatamente o oposto, mas
 

Como disse, o relatório visa exatamente o oposto, como se pode ver:

(30) A revisão [feita em 2016] reafirma que programas de educação em sexualidade com base em currículos contribui para:

  • adiamento do início das relações sexuais
  • frequência menor das relações sexuais
  • quantidade menor de parceiros sexuais
  • redução das práticas de risco
  • aumento do uso de preservativos
  • aumento do uso de anticoncepcionais

A revisão das evidências realizadas em 2016 conclui que a educação em sexualidade tem efeitos positivos

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Em conclusão, aquela alegação de que "As crianças devem ter parceiros sexuais" não é verdadeira.

Infelizmente, quando as pessoas combatem ideias com recurso a mentiras, 

  • estão a mostrar ser imorais;
  • estão a dar a ideia de que sabem que não têm razão;
  • os seus pontos de vista não são levados a sério (a não ser por fanáticos);
  • e acabam a oferecer a vitória ao adversário.

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Na verdade, segundo um estudo de 2019 sobre moral, as pessoas que exageram a sua própria moralidade e que enfatizam a imoralidade dos outros, não têm comportamentos (principalmente, privados) a condizer – ou seja, sofrem de Hipocrisia Moral.

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Entretanto, o discurso passou a ser ligeiramente mais moderado porque já não inclui aquelas mentiras declaradas, embora ainda diga outras.

A mesma pessoa agora diz:

Acabaram com a família, acabaram com o casamento, acabaram com os valores cristãos, e agora querem acabar com a inocência das CRIANÇAS 👇 Vamos permitir?

Ninguém acabou nem com a família, nem com o casamento (aliás, agora há até mais possibilidades de casamento), nem com os valores cristãos (embora é verdade que estes não são mencionados nem na Constituição Portuguesa nem na Europeia).

Mais uma vez, não podemos deixar de refletir que, quando começam com mentiras, descredibilizam o resto. O que é uma pena pois a questão final da inocência das crianças parece-me diferente. Esta, sim, seria importante, aqui, discuti-la seriamente.

Ora, poderíamos tê-lo feito, se não tivéssemos que lidar com as mentiras que foram ditas anteriormente. Mas, entretanto, a aula chegou ao fim.

A tod@s muito obrigado pela participação preciosa e votos de boas férias!


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Resumo da aula de 5-05-2026

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