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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

A realidade dos maus-tratos a crianças e o que podemos fazer

 

(foto tirada daqui)

Sei que este tema dos maus-tratos físicos a crianças tem sido um assunto pesado. No entanto, repare-se que as soluções e alternativas de que aqui vamos falando são aplicáveis a todos os seres humanos, não só a crianças. Mas, além desta razão, há outras que justificam a necessidade de enfrentar este assunto e que passo a detalhar a seguir.

Primeiro, volto a recordar que estamos a tentar encontrar uma educação que não torne as crianças adultos violentos. 

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Por exemplo, uma educação que evite que isto aconteça - Jornal de Notícias de 14.02.2022:

“Em 2022, a PSP e a GNR receberam um total de 3530 queixas de violência no namoro, o que corresponde a uma média de cerca de dez situações reportadas por dia.”

10 situações por dia num país tão pequeno! Considerem ainda todas as outras em que as vítimas tiveram medo de reportar; ou que acharam que deviam dar mais uma oportunidade ao agressor de se corrigir; ou que menorizaram a importância das agressões; ou que, pelos filhos, optaram pelo silêncio; etc., etc.

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Uma educação que evite também que isto tenha de acontecer:

(dados tirados daqui)

Em cada dia (em 365 dias do ano), 8 crianças são retiradas às respetivas famílias para as proteger de extrema violência! Saliento que estes são os casos de extrema gravidade, dado que a política seguida é de só retirar as crianças à família apenas em último recurso.

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Uma educação que acabe com isto:

(dados tirados daqui)

Para além de que não deveria haver nenhuma criança a ser assassinada, veja-se que também aqui a tendência é terrivelmente crescente.

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Quais as causas destes números sinistros? Múltiplas, mas uma delas é outra violência infinitamente injusta que é exercida sobre as crianças. Apresento mais uns números aterradores, tirados do Jornal de Notícias de 24.01.2023:

«Em Gaia existem 4492 crianças em situação de pobreza extrema, afirmou a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho (...) sublinhando que a nível nacional o número ascende às "170 mil".» 

Saliento que não é apenas pobreza simples, é «pobreza extrema». E que é o próprio Governo da República Portuguesa (já o 23º depois do 25 de Abril!) a reconhecer esta realidade pavorosa para as crianças!

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Portanto, vejam a necessidade urgente de travar esta tendência!!!

Pergunto: alguém se atreve a responsabilizar ou a culpar as crianças por estas situações?

Se não, então a conclusão rigorosamente necessária é que a culpa é totalmente dos adultos…

Sendo assim, a completa ausência de culpa ou de responsabilidade por parte das crianças não nos cria uma obrigação humana e moral para com elas? Claro que sim.

O que podemos então fazer?

Primeiro que tudo, tenhamos em atenção que muitas vezes, a última esperança de salvação destas crianças está:

  • em vizinhos atentos e solidários;
  • na vigilância e na proteção das escolas; 
  • e nos serviços do Estado (comissões de proteção - CPCJ, polícias e tribunais).

Por isso, no que toca a nós próprios:


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Mas há muito mais que podemos fazer. 

Podemos também sensibilizar familiares, amigos e conhecidos, transmitindo-lhes os conhecimentos baseados na ciência adquiridos nestas aulas. A fim de mudar a situação de ignorância em que só…

Alguns — muito poucos — já introduzem na sua narrativa o evoluir recente da própria representação da infância, da sua vulnerabilidade e dos seus direitos. 

(referindo-se aos bispos diocesanos no ativos e a superiores e superioras gerais de alguns institutos religiosos, em Dar Voz ao Silêncio, item 31. do Relatório Final - Sumário Executivo)

O princípio fundamental a ser interiorizado pela sociedade no seu todo é que as crianças são pessoas acima de tudo. Em absoluto, não são “menores”, são crianças detentoras de dignidade e de direitos, mais ainda do que os adultos, dada a sua fragilidade e dependência específicas à sua pouca idade.

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Mas há mais a fazer.

Não aprovemos, nem aceitemos, nem toleremos situações de violência física e psicológica contra as crianças .

E ainda podemos apoiar por todas as formas que nos forem possíveis as organizações que defendem e tentam proteger as crianças (quanto mais não seja, divulgando o seu trabalho e angariando apoiantes).

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Além disto, o que está ao nosso alcance fazer no nosso dia-a-dia? Algo que é simultaneamente simples, mas que é raro a maior parte de nós fazer:

Elogiar TODOS (CRIANÇAS E ADULTOS) o mais possível e sempre que possível. 

No que se refere às crianças, esta prática serve para as fazer mais felizes e, simultaneamente, estimular nelas os bons comportamentos que desejamos que elas adotem.

Quanto aos adultos, elogiar as crianças ajuda a fazer-lhes ver os muitos lados bons das crianças. Elogiando os próprios adultos, estamos também a alimentar neles um espírito mais benévolo (estamos a alimentar o seu “lobo bom”).

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No entanto, muitas vezes sentimo-nos cansados e não vemos o que elogiar, nem nos apetece fazê-lo. Isto acontece porque elogiar não é uma ação natural para a maior parte de nós. Isto quer dizer que temos de treinar esta arte (pois apesar de ter uma vertente técnica, de uma verdadeira arte se trata).

Como treiná-la? Primeiro que tudo, temos de educar os nossos sentidos e a nossa mente para descobrir belezas no dia-a-dia.

Interroguemo-nos sobre que coisas suscetíveis de elogio encontramos que são belas, ou boas ou interessantes para nós. Investiguemos isto durante esta semana. Na próxima aula, retomaremos este tema.

Até lá, uma ótima semana para tod@s (mais uma vez com um imenso obrigado pela excelente participação)!


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