Vamos continuar a ver o que a ciência concluiu sobre os castigos corporais.
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Promovem o afastamento emocional das crianças relativamente aos pais,
- de quem desconfiam,
- de quem sentem medo
- e contra quem sentem revolta (talvez para o resto da vida?).
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Silenciam e escondem problemas pelos quais a criança esteja a passar.
Recordemos que um mau comportamento é um alerta importante para sinalizar um problema presente na vida da criança. Porquê?
Porque um mau comportamento tem as suas raízes em emoções negativas. Estas surgem quando o sistema de regulação de emoções focado na ameaça, no perigo e na autoproteção é ativado. A sua ativação resulta de uma avaliação do organismo que conclui que há qualquer coisa que está mal e que precisa de ser mudada.
Se não se enfrenta o problema de base, é pouco provável que ele desapareça. E a criança sente-se cada vez pior por isso, mas também porque as suas necessidades não foram objeto de consideração pelos adultos, agravado com o facto de ainda por cima estar a ser castigada.
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Instituem um comportamento regressivo de obediência comandado pelo medo, em vez de um comportamento moralmente autorregulado, orientado autonomamente por valores de solidariedade e de boa convivência.
Por outras palavras, a criança aprende a fazer o bem pelo medo das consequências de o não fazer. E apenas para evitar castigos, e não por ser a coisa correta para se fazer.
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Prejudicam realmente o desempenho cognitivo. Podendo, em muitos casos de maus tratos prolongados, chegar a bloquear definitivamente o seu desenvolvimento.
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Provocam problemas emocionais, agravando os do presente, e expandindo-os no futuro: problemas de ansiedade, de depressão, de hostilidade, de instabilidade emocional e de desespero que levam algumas vezes ao suicídio ou às dependências de álcool ou drogas.
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Não ensinam as crianças a lidar com emoções difíceis, a não ser pela sua repressão. Que, se for levada ao extremo, acaba na automutilação ou mesmo no suicídio.
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Promovem baixos amor-próprio e autoestima.
Lembremo-nos de como nos sentimos humilhados sempre que fomos vítimas de violência física, tanto na infância como na idade adulta.
O amor-próprio existe quando reconhecemos que temos valor como seres humanos, independentemente do que fazemos ou do que conseguimos. A autoestima é o que pensamos e sentimos de nós próprios a partir das nossas realizações no mundo.
Aumentam a probabilidade de, em idades posteriores, se aceitar ser vítima passiva de variados tipos de abusos físicos e psicológicos.
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Aumentam a probabilidade de, em adulto, reagir com violência com os seus próprios filhos, companheiro/a e pais.
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Continuaremos, na próxima aula, a ver o que a ciência tem a dizer sobre os castigos corporais.
Antes disso, uma nota final.
Alguns de nós (talvez a maioria) educámos os nossos filhos essencialmente de acordo com o que sabíamos e com o que os outros nos diziam na altura. Hoje em dia, sabemos coisas que não se sabiam então. E damos conta de que cometemos alguns erros. E, possivelmente, sentimos remorsos por isso, o que é natural.
Não devemos olhar demasiado para o passado. Aceitemos esses remorsos porque são um bom sinal de que estamos vivos, humanos e que mudámos para melhor. Usemo-los agora como uma energia positiva para fazer coisas (qualquer coisa, por mais insignificante que seja, é boa) que contribuam para melhorar o mundo, e a vida das crianças em particular.
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Até à próxima aula e uma ótima semana para todos!

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